Porque é que o marketing digital é importante para o teu negócio?

No final desta aula, deverá ser capaz de: compreender a importância da presença digital no processo de decisão do cliente; distinguir qualidade, visibilidade e perceção de valor; identificar as principais funções do marketing digital num negócio; reconhecer o papel da confiança, da informação e dos diferentes pontos de contacto; compreender como os dados digitais podem apoiar a aprendizagem e a adaptação; avaliar a experiência digital do seu próprio negócio através dos olhos de um potencial cliente.

Conteúdo da aula

1. Ter qualidade não é suficiente para ser escolhido

Imagine que possui o melhor restaurante da sua cidade.

A comida é excelente.

O atendimento é impecável.

Os clientes que experimentam recomendam-no.

Existe apenas um problema: quando alguém pesquisa onde comer, o restaurante praticamente não aparece.

O Google apresenta três concorrentes:

  • um tem centenas de avaliações;
  • outro publica vídeos regularmente;
  • o terceiro apresenta fotografias profissionais, um menu atualizado e a possibilidade de reservar online.

Entretanto, o seu restaurante tem uma página de Facebook criada em 2017, um horário desatualizado e uma fotografia de perfil que parece ter sido tirada durante um terramoto.

Qual dos restaurantes terá maior probabilidade de receber a reserva?

Provavelmente, não será necessariamente aquele que tem a melhor comida.

Será aquele que conseguiu ser:

  • encontrado;
  • compreendido;
  • avaliado;
  • e considerado no momento certo.

É precisamente por esta razão que o marketing digital é importante.

Não porque todas as empresas precisem de fazer danças no TikTok, mas porque uma parte significativa da descoberta, da avaliação e da decisão do cliente ocorre atualmente em ambientes digitais.

A pergunta já não deve ser apenas:

“O meu negócio tem presença online?”

A pergunta mais relevante é:

“Quando alguém precisa daquilo que vendo, o meu negócio reúne condições para ser encontrado, gerar confiança e facilitar uma decisão?”

2. Um bom negócio não se divulga sozinho

Existe uma ideia romântica no mundo empresarial:

“Se o produto for realmente bom, as pessoas acabarão por descobri-lo.”

É uma ideia bonita.

Também seria agradável se as faturas fossem pagas através de energia positiva.

Na prática, qualidade e visibilidade são realidades diferentes.

Uma empresa pode:

  • ter um produto excelente que ninguém conhece;
  • prestar um serviço extraordinário que ninguém compreende;
  • possuir clientes satisfeitos, mas não ter um sistema que transforme essa satisfação em avaliações, recomendações e novas oportunidades;
  • ter uma oferta valiosa, mas comunicá-la de forma pouco clara;
  • ou estar ausente dos canais onde os clientes procuram informação.

O marketing não cria automaticamente qualidade.

No entanto, ajuda o mercado a descobrir, compreender e avaliar a qualidade que já existe.

Sem comunicação, o potencial cliente não consegue avaliar aquilo que desconhece.

Por isso, a primeira razão pela qual o marketing digital é importante é simples:

Ajuda o negócio a ser encontrado.

3. Primeira razão: o cliente procura antes de comprar

Antes de entrar numa loja, marcar uma consulta ou contratar um serviço, uma pessoa pode:

  • pesquisar no Google;
  • consultar um website;
  • ler avaliações;
  • visitar redes sociais;
  • comparar preços;
  • observar fotografias;
  • procurar testemunhos;
  • assistir a um vídeo;
  • pedir recomendações;
  • ou enviar uma mensagem.

Nem todos os clientes passam por todas estas etapas.

Contudo, muitos utilizam vários pontos de contacto antes de tomar uma decisão.

Lemon e Verhoef explicam que a experiência do cliente é construída ao longo de diferentes fases — antes, durante e depois da compra — e através de vários pontos de contacto.

Esses pontos podem ser controlados:

  • pela própria empresa;
  • por parceiros;
  • pelos clientes;
  • ou pelo ambiente externo.

Exemplo de um percurso digital

Um potencial cliente pode:

  1. descobrir uma empresa através de um Reel;
  2. pesquisar o seu nome no Google;
  3. ler avaliações de outros clientes;
  4. visitar o website;
  5. consultar os serviços;
  6. comparar a empresa com alternativas;
  7. e só depois enviar uma mensagem.

Neste caso, a venda não aconteceu por causa de uma única publicação.

Aconteceu porque vários elementos trabalharam em conjunto para reduzir a incerteza e facilitar a decisão.

O marketing digital permite construir e organizar esse percurso.

4. Exemplo: a clínica invisível

Imagine duas clínicas com profissionais igualmente competentes.

Clínica A

A primeira clínica possui:

  • um website claro;
  • uma página otimizada no Google;
  • avaliações de pacientes;
  • conteúdos que explicam problemas comuns;
  • informações sobre a primeira consulta;
  • fotografias da equipa;
  • horários atualizados;
  • e uma forma simples de marcar.

Clínica B

A segunda clínica apresenta apenas:

  • um número de telefone;
  • poucas informações;
  • e uma página praticamente abandonada.

Quando alguém sente uma dor desconhecida e está preocupado, qual das duas clínicas transmite maior segurança?

Isto não significa que a primeira clínica seja clinicamente superior.

Significa que oferece mais informação para que o potencial paciente consiga avaliar a decisão.

Quando existe incerteza, a ausência de informação raramente é interpretada como sofisticação.

Normalmente, é apenas interpretada como ausência de informação.

A competência real da empresa continua a ser essencial. Contudo, para ser escolhida, essa competência precisa de ser:

  • visível;
  • compreensível;
  • credível;
  • e acessível.

5. Segunda razão: o marketing digital ajuda a construir confiança

Qualquer compra implica algum nível de risco.

Antes de avançar, o cliente poderá questionar:

  • Será que funciona?
  • Esta empresa é séria?
  • Compreende o meu problema?
  • Vale o preço?
  • Serei bem atendido?
  • O serviço é adequado ao meu caso?
  • Cumprirão aquilo que prometem?

Quanto maior for o preço, a complexidade ou o envolvimento emocional da compra, maior tende a ser a necessidade de confiança.

Uma pessoa pode comprar uma garrafa de água sem investigar profundamente a filosofia da marca.

No entanto, poderá passar vários dias ou semanas a analisar profissionais antes de escolher:

  • um advogado;
  • um terapeuta;
  • um consultor;
  • uma clínica;
  • um arquiteto;
  • ou um prestador de serviços especializado.

O marketing digital pode reduzir esta incerteza através de:

  • conteúdo educativo;
  • casos reais;
  • avaliações;
  • testemunhos;
  • demonstrações;
  • respostas a perguntas;
  • informação transparente;
  • apresentação da equipa;
  • explicação dos processos;
  • e contacto consistente.

5.1. O papel das avaliações online

As avaliações online são especialmente relevantes porque acrescentam a perspetiva de outros consumidores.

Num estudo clássico sobre avaliações de livros na Amazon e na Barnes & Noble, Chevalier e Mayzlin verificaram que melhorias nas avaliações estavam associadas a aumentos nas vendas relativas.

Os investigadores observaram também que avaliações muito negativas podiam ter um impacto superior ao das avaliações muito positivas.

Este estudo analisou um mercado específico. Não significa que uma única avaliação negativa destrua automaticamente qualquer negócio.

Contudo, demonstra um princípio importante:

Aquilo que outras pessoas dizem online pode influenciar decisões económicas reais.

As avaliações ajudam o potencial cliente a avaliar:

  • a qualidade percebida;
  • a consistência do serviço;
  • o tratamento recebido;
  • a capacidade de resolver problemas;
  • e o nível de satisfação de clientes anteriores.

Por isso, ignorar as avaliações enquanto se publicam frases inspiradoras todos os dias é uma escolha estratégica curiosa.

Talvez não seja a melhor.

6. Terceira razão: permite explicar o valor antes da conversa comercial

Muitos negócios dependem excessivamente de explicações individuais.

Cada potencial cliente envia uma mensagem e a empresa responde repetidamente às mesmas perguntas:

  • Quanto custa?
  • Como funciona?
  • É adequado para mim?
  • Quanto tempo demora?
  • O que está incluído?
  • Qual é a diferença entre este serviço e outro?
  • O que acontece depois da compra?
  • Como posso começar?

O marketing digital permite responder a uma parte significativa destas perguntas antes do contacto direto.

Isso pode ser feito através de:

  • um website;
  • uma página de serviços;
  • um vídeo explicativo;
  • uma secção de perguntas frequentes;
  • uma sequência de conteúdos;
  • um caso de estudo;
  • um email;
  • ou uma demonstração.

Isto não substitui necessariamente a conversa humana.

Prepara-a.

Em vez de o potencial cliente perguntar:

“O que é que vocês fazem?”

Poderá perguntar:

“Vi o vosso método e gostaria de perceber se é adequado ao meu caso.”

A qualidade da conversa muda.

O cliente chega mais informado e a empresa consegue dedicar o contacto a questões mais relevantes.

Além disso, a probabilidade de o contacto ser qualificado também pode aumentar.

7. Exemplo: a consultora que vendia “consultoria”

Imagine uma empresa que comunica apenas:

“Prestamos serviços de consultoria para empresas.”

A frase pode ser verdadeira.

No entanto, consegue transmitir muito pouco utilizando várias palavras.

Não explica:

  • que empresas atende;
  • que problema resolve;
  • que método utiliza;
  • que transformação proporciona;
  • ou porque deverá ser escolhida.

Considere agora uma segunda versão:

“Ajudamos pequenos negócios que publicam sem direção a definir posicionamento, pilares de conteúdo, canais e um plano de execução para os próximos noventa dias.”

A segunda formulação torna mais claros:

  • o público: pequenos negócios;
  • o problema: publicar sem direção;
  • o processo: definir posicionamento, pilares e canais;
  • o resultado: um plano de execução;
  • o horizonte temporal: noventa dias.

O marketing digital oferece à empresa espaço para repetir, demonstrar e aprofundar esta mensagem através de diferentes formatos.

Por exemplo:

  • um post pode apresentar o problema;
  • um vídeo pode explicar o método;
  • um caso pode demonstrar o resultado;
  • uma página pode apresentar a oferta;
  • um email pode responder a uma objeção;
  • um testemunho pode reduzir a perceção de risco;
  • uma chamada pode ajudar a confirmar a adequação do serviço.

O cliente não recebe apenas uma frase comercial.

Recebe contexto para tomar uma decisão.

8. Quarta razão: permite manter uma relação ao longo do tempo

Nem todas as pessoas compram no primeiro contacto.

Algumas:

  • ainda não reconhecem completamente o problema;
  • estão a comparar diferentes opções;
  • não têm orçamento disponível;
  • não possuem tempo para avançar;
  • precisam de autorização de outra pessoa;
  • não confiam suficientemente na empresa;
  • ou ainda não consideram a necessidade prioritária.

Quando uma empresa aparece apenas no momento em que pretende vender, perde a oportunidade de construir uma relação antes da decisão.

O conteúdo, o email e outros canais digitais permitem manter contacto com potenciais clientes ao longo do tempo.

Esses canais podem ajudá-los a:

  • compreender melhor o problema;
  • evitar erros;
  • conhecer a abordagem da marca;
  • avaliar a sua competência;
  • identificar possíveis soluções;
  • e recordar-se da empresa quando surgir a necessidade.

8.1. Os canais podem complementar-se

Kumar e os seus colegas analisaram os efeitos dos conteúdos publicados pelas próprias empresas nas redes sociais.

O estudo considerou a relação desses conteúdos com indicadores como:

  • gastos;
  • compra de diferentes categorias;
  • e rentabilidade do cliente.

Os investigadores encontraram também efeitos de complementaridade com o email e a publicidade televisiva.

Este resultado reforça uma ideia essencial:

Os canais não precisam de trabalhar isoladamente.

Um percurso pode desenvolver-se da seguinte forma:

  1. Um conteúdo desperta o interesse.
  2. Um email aprofunda a relação.
  3. Uma pesquisa no Google confirma a credibilidade.
  4. Uma avaliação reduz a incerteza.
  5. Uma página explica a oferta.
  6. Uma mensagem conduz à decisão.

Marketing digital não significa encontrar uma plataforma milagrosa.

Significa coordenar diferentes contactos que, em conjunto, ajudam o cliente a avançar.

9. Quinta razão: permite alcançar pessoas para além da proximidade imediata

Antes dos meios digitais, muitos pequenos negócios dependiam sobretudo de:

  • localização;
  • passa-palavra;
  • publicidade local;
  • contactos pessoais;
  • circulação física;
  • e presença numa determinada área geográfica.

Estes elementos continuam a ser importantes.

No entanto, os meios digitais permitem ampliar o alcance.

Exemplos

Uma empresa local pode ser encontrada por alguém que acabou de se mudar para a região.

Um consultor pode trabalhar com clientes noutras cidades.

Um produtor pode vender diretamente aos consumidores sem depender exclusivamente de um ponto físico.

Um formador pode transformar o seu conhecimento num curso acessível a pessoas de diferentes países.

Uma pequena loja pode divulgar os seus produtos a clientes que nunca passariam fisicamente à sua porta.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico identifica a digitalização como uma oportunidade para as pequenas e médias empresas:

  • acederem a novos mercados;
  • aumentarem a eficiência;
  • utilizarem dados;
  • melhorarem processos;
  • e desenvolverem novos modelos de negócio.

O mesmo relatório alerta, contudo, para barreiras como:

  • falta de competências;
  • falta de recursos;
  • dificuldades de implementação;
  • e ausência de preparação estratégica.

A tecnologia cria oportunidades.

Mas não elimina a necessidade de saber utilizá-la.

Dar a uma empresa dez ferramentas digitais sem uma estratégia não é transformação digital.

É apenas uma forma moderna de criar dez palavras-passe de que ninguém se recorda.

10. Sexta razão: permite medir e aprender

No marketing tradicional, medir resultados podia ser difícil.

Uma empresa colocava um anúncio num jornal e tentava perceber:

  • quantas pessoas o tinham visto;
  • quantas se recordavam;
  • quantas tinham contactado a empresa;
  • e quantas tinham comprado por causa do anúncio.

No digital, é possível observar vários comportamentos.

Por exemplo:

  • quantas pessoas visualizaram;
  • quantas clicaram;
  • quanto tempo permaneceram;
  • que conteúdos despertaram interesse;
  • que páginas visitaram;
  • quantas preencheram um formulário;
  • quantas marcaram;
  • quantas compraram;
  • e quantas regressaram.

Isto não significa que todos os dados sejam automaticamente úteis.

Ter acesso a cinquenta métricas não garante que se consiga tomar uma boa decisão.

Por vezes, permite apenas criar uma apresentação extremamente colorida sobre assuntos que pouco interessam ao negócio.

O verdadeiro valor dos dados está na possibilidade de aprender.

10.1. Exemplos de interpretação

Muitas visitas, poucos contactos

Se muitas pessoas visitam uma página, mas poucas entram em contacto, poderá existir um problema:

  • na oferta;
  • na mensagem;
  • no preço;
  • na chamada para a ação;
  • na confiança;
  • ou na experiência de navegação.

Muito alcance, público pouco adequado

Se os conteúdos recebem muita atenção, mas atraem pessoas que dificilmente poderiam comprar, poderá existir um problema:

  • de posicionamento;
  • de público;
  • de temas;
  • de canais;
  • ou de clareza da mensagem.

Muitos contactos, poucas vendas

Se os anúncios geram contactos, mas nenhum se converte, o problema poderá estar:

  • na qualificação dos contactos;
  • no processo comercial;
  • no tempo de resposta;
  • na oferta;
  • no preço;
  • ou nas expectativas criadas pela publicidade.

Os dados não fornecem sempre uma resposta direta, mas ajudam a formular perguntas melhores.

O marketing digital permite criar ciclos de melhoria:

  1. executar;
  2. medir;
  3. interpretar;
  4. ajustar;
  5. testar novamente.

Este processo transforma o marketing numa atividade de aprendizagem contínua.

11. Sétima razão: ajuda a empresa a adaptar-se

Os mercados mudam.

O comportamento dos clientes muda.

Surgem novos concorrentes.

As plataformas alteram as suas funcionalidades.

As necessidades evoluem.

Aquilo que funcionava anteriormente pode deixar de produzir o mesmo resultado.

Uma empresa que mantém contacto com o mercado através de:

  • pesquisas;
  • dados;
  • perguntas;
  • comentários;
  • avaliações;
  • mensagens;
  • e conversas

consegue identificar alterações mais rapidamente.

Pode perceber:

  • que dúvidas estão a surgir;
  • que objeções estão a aumentar;
  • que serviços despertam maior interesse;
  • que mensagens deixaram de funcionar;
  • que problemas estão a tornar-se prioritários;
  • e que novas oportunidades existem.

Isto não significa mudar de estratégia todas as semanas porque um Reel teve menos visualizações numa terça-feira chuvosa.

Significa desenvolver a capacidade de aprender e responder ao mercado.

11.1. Ferramentas não são capacidades

Homburg e Wielgos estudaram as capacidades de marketing digital das empresas e concluíram que estas podem contribuir para a rentabilidade para além das capacidades tradicionais de marketing.

O estudo sublinha, contudo, que o valor não está apenas em possuir ferramentas.

Está em desenvolver competências e processos para as utilizar estrategicamente.

Esta distinção é fundamental.

Uma conta numa plataforma não é uma capacidade.

Uma subscrição de software não é uma capacidade.

Uma ferramenta de inteligência artificial também não é uma capacidade.

A verdadeira capacidade consiste em saber:

  • o que procurar;
  • que informação recolher;
  • o que comunicar;
  • a quem comunicar;
  • o que medir;
  • como interpretar os resultados;
  • e como transformar informação em ação.

A tecnologia disponibiliza instrumentos.

A estratégia determina como esses instrumentos serão utilizados.

12. O marketing digital não resolve todos os problemas

Neste ponto, é importante evitar um entusiasmo excessivo.

O marketing digital não salva automaticamente:

  • um produto de baixa qualidade;
  • um atendimento negligente;
  • uma oferta sem procura;
  • preços incoerentes;
  • uma experiência desorganizada;
  • um serviço pouco diferenciado;
  • ou uma empresa que promete mais do que consegue entregar.

Na verdade, o marketing pode aumentar a velocidade com que o mercado descobre esses problemas.

Se uma empresa atrair mil pessoas para uma experiência péssima, não construiu crescimento.

Construiu uma forma muito eficiente de desiludir mil pessoas.

O marketing amplifica.

Pode amplificar:

  • valor;
  • qualidade;
  • diferenciação;
  • confiança;
  • e satisfação.

Mas também pode amplificar:

  • falhas;
  • desorganização;
  • expectativas incorretas;
  • promessas não cumpridas;
  • e experiências negativas.

Por isso, o marketing deve estar ligado ao resto do negócio.

Não pode ser tratado como uma atividade isolada da:

  • operação;
  • qualidade;
  • experiência;
  • equipa;
  • entrega;
  • e relação com o cliente.

13. Exemplo integrado: o restaurante

Regressemos ao restaurante apresentado no início da aula.

Uma estratégia digital adequada poderia incluir:

  • um Google Business Profile atualizado;
  • fotografias reais dos pratos;
  • fotografias do espaço;
  • um menu acessível;
  • horários corretos;
  • uma forma simples de reservar;
  • respostas às avaliações;
  • conteúdos sobre os bastidores;
  • apresentação da equipa;
  • divulgação de menus sazonais;
  • email ou mensagens para clientes habituais;
  • e análise das pesquisas, reservas e horários de maior procura.

Repare que não é necessário transformar o restaurante num estúdio de televisão.

Não é preciso interromper o jantar dos clientes para filmar sete tendências diferentes.

É necessário construir uma presença que ajude o potencial cliente a:

  1. encontrar o restaurante;
  2. perceber o tipo de experiência oferecida;
  3. avaliar a qualidade;
  4. escolher;
  5. reservar;
  6. e regressar.

A estratégia deve facilitar o percurso do cliente, não criar trabalho digital sem finalidade.

Exercício prático — Auditoria à presença digital do negócio

Neste exercício, deverá observar o seu negócio através dos olhos de alguém que ainda não o conhece.

O objetivo não é avaliar a empresa com base naquilo que sabe internamente, mas analisar aquilo que um potencial cliente consegue realmente encontrar e compreender.

Passo 1 — Pesquise o nome da empresa

Abra uma janela anónima no navegador ou utilize um dispositivo no qual não tenha sessão iniciada nas contas da empresa.

Pesquise:

  • o nome da empresa;
  • o nome do profissional;
  • o principal serviço;
  • o serviço associado à localização;
  • e algumas dúvidas que um cliente poderia pesquisar.

Registe o que encontra

  • A empresa aparece facilmente?
  • Que informações surgem primeiro?
  • Os dados estão corretos?
  • Existem avaliações?
  • As fotografias representam a qualidade atual?
  • Surgem concorrentes antes da sua empresa?

Observações:

Passo 2 — Visite o website através do telemóvel

A maioria dos clientes poderá visitar o website através de um dispositivo móvel.

Analise:

  • a velocidade de carregamento;
  • a legibilidade;
  • a organização;
  • a clareza da oferta;
  • a facilidade de contacto;
  • e o funcionamento dos botões.

Perguntas de avaliação

  • Consigo perceber rapidamente o que a empresa faz?
  • Consigo perceber para quem é?
  • Sei que problema resolve?
  • Encontro os serviços ou produtos?
  • Existe um próximo passo claro?
  • Os formulários funcionam?
  • A informação está atualizada?

Observações:

Passo 3 — Consulte as redes sociais

Visite os perfis como se fosse um potencial cliente.

Não analise apenas a estética.

Procure compreender se os conteúdos ajudam o visitante a:

  • perceber o que a empresa faz;
  • reconhecer o seu problema;
  • compreender o valor da oferta;
  • confiar na marca;
  • encontrar informações;
  • e avançar.

Perguntas de avaliação

  • O perfil está atualizado?
  • A biografia explica claramente o negócio?
  • Os conteúdos têm uma função?
  • Existem provas reais do trabalho?
  • Há testemunhos ou casos?
  • O visitante sabe como entrar em contacto?
  • A empresa transmite profissionalismo?

Observações:

Passo 4 — Leia as avaliações

Consulte as avaliações disponíveis no Google, Facebook, marketplaces ou outras plataformas.

Observe:

  • a quantidade de avaliações;
  • a data das avaliações mais recentes;
  • os aspetos positivos mais mencionados;
  • as críticas recorrentes;
  • a forma como a empresa responde;
  • e as dúvidas que podem ser identificadas nos comentários.

Perguntas de avaliação

  • Existem avaliações suficientes para gerar confiança?
  • As avaliações são recentes?
  • A empresa responde?
  • As respostas demonstram atenção e profissionalismo?
  • Existe algum problema recorrente?
  • Há testemunhos que poderiam ser transformados em casos ou conteúdos?

Observações:

Passo 5 — Procure informações sobre o produto ou serviço

Tente encontrar respostas para questões básicas:

  • O que é?
  • Para quem é?
  • Como funciona?
  • O que está incluído?
  • Quanto custa?
  • Quanto tempo demora?
  • Como posso comprar ou marcar?
  • O que acontece depois?

Registe aquilo que não consegue encontrar facilmente.

Informações claras:

Informações ausentes ou confusas:

Passo 6 — Tente avançar

Simule o percurso de um cliente.

Tente:

  • clicar no link principal;
  • preencher um formulário;
  • fazer uma marcação;
  • encontrar o contacto;
  • enviar uma mensagem;
  • ou iniciar uma compra.

Analise se o processo é:

  • simples;
  • rápido;
  • intuitivo;
  • coerente;
  • e funcional.

Obstáculos encontrados:

Perguntas finais da auditoria

Depois de concluir os passos anteriores, responda:

1. Consigo perceber rapidamente o que esta empresa faz?

2. Consigo perceber para quem é?

3. Encontro sinais de confiança?

4. As informações estão atualizadas?

5. Se quiser avançar, sei exatamente o que fazer?

6. A experiência digital transmite a mesma qualidade que a empresa afirma oferecer?

Plano de melhoria

Com base na auditoria, escolha três melhorias prioritárias.

Prioridade 1

Problema identificado:

Ação a implementar:

Resultado esperado:

Prioridade 2

Problema identificado:

Ação a implementar:

Resultado esperado:

Prioridade 3

Problema identificado:

Ação a implementar:

Resultado esperado:

Reflexão final do exercício

Este exercício poderá ser desconfortável.

Isso é positivo.

O desconforto estratégico tende a ser mais útil do que a tranquilidade construída sobre a decisão de não verificar nada.

O objetivo não é criticar o negócio indiscriminadamente.

É identificar as diferenças entre:

  • aquilo que a empresa sabe sobre si;
  • aquilo que acredita comunicar;
  • e aquilo que um potencial cliente consegue realmente encontrar e compreender.

14. Conclusão

O marketing digital é importante porque os clientes não tomam decisões apenas quando estão fisicamente diante da empresa.

Antes do contacto, podem:

  • descobrir;
  • pesquisar;
  • comparar;
  • observar;
  • ler;
  • perguntar;
  • avaliar;
  • e formar opiniões.

Uma estratégia digital ajuda o negócio a estar presente ao longo deste percurso.

Ajuda-o a:

  • ser encontrado;
  • explicar o seu valor;
  • construir confiança;
  • manter relações;
  • alcançar novos públicos;
  • medir resultados;
  • aprender;
  • e adaptar-se.

A ideia principal desta aula não é que a empresa precisa de fazer mais coisas.

É que precisa de garantir que as coisas certas trabalham em conjunto.

Não é necessário estar em todo o lado.

É necessário estar:

  • nos pontos certos;
  • com a mensagem certa;
  • para as pessoas certas;
  • e com um caminho claro para a decisão.

O melhor negócio não vence automaticamente.

Muitas vezes, vence o negócio que consegue tornar o seu valor mais fácil de:

  • encontrar;
  • compreender;
  • avaliar;
  • e escolher.

Seria excelente se a qualidade se vendesse completamente sozinha.

Mas, até o mercado desenvolver capacidades telepáticas, continuará a ser necessário comunicar.

Ideias-chave da aula

  • Qualidade e visibilidade não são a mesma coisa.
  • O cliente pode consultar vários pontos de contacto antes de comprar.
  • Uma presença digital clara ajuda a reduzir a incerteza.
  • Avaliações e testemunhos podem influenciar decisões reais.
  • O conteúdo permite explicar valor antes da conversa comercial.
  • Os canais digitais ajudam a manter relações com pessoas que ainda não estão preparadas para comprar.
  • A tecnologia permite ampliar o alcance, mas exige competências e estratégia.
  • Os dados só são úteis quando ajudam a interpretar e melhorar resultados.
  • Possuir ferramentas não é o mesmo que possuir capacidades de marketing digital.
  • O marketing amplifica tanto a qualidade como as falhas do negócio.
  • O objetivo não é estar em todas as plataformas, mas construir um percurso coerente até à decisão.

Referências

Chevalier, J. A., & Mayzlin, D. (2006). The effect of word of mouth on sales: Online book reviews. Journal of Marketing Research, 43(3), 345–354. https://doi.org/10.1509/jmkr.43.3.345

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Kumar, A., Bezawada, R., Rishika, R., Janakiraman, R., & Kannan, P. K. (2016). From social to sale: The effects of firm-generated content in social media on customer behavior. Journal of Marketing, 80(1), 7–25. https://doi.org/10.1509/jm.14.0249

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