O que é marketing de conteúdo — e o que não é
Conteúdo da aula
1. Publicar conteúdo não é necessariamente fazer marketing de conteúdo
A expressão marketing de conteúdo tornou-se tão comum que, por vezes, parece aplicar-se a qualquer coisa que uma empresa publique na internet.
Por exemplo:
- uma fotografia da equipa;
- uma promoção;
- um vídeo baseado numa tendência;
- uma frase motivacional;
- uma Story;
- um artigo;
- uma newsletter.
Tudo isto é conteúdo.
Mas nem tudo isto constitui necessariamente marketing de conteúdo estratégico.
Uma empresa pode produzir dezenas de publicações por mês e continuar sem possuir uma verdadeira estratégia de conteúdo.
Pode ter:
- vídeos;
- carrosséis;
- Stories;
- artigos;
- newsletters;
- um calendário editorial muito organizado;
- categorias com diferentes cores;
- e uma equipa extremamente ocupada.
E, ainda assim, pode não existir uma ligação clara entre aquilo que publica e aquilo que o cliente precisa de compreender para avançar.
A diferença fundamental está na intenção.
2. Comecemos pela palavra “conteúdo”
Conteúdo é qualquer informação ou experiência comunicada através de determinado formato.
Pode assumir muitas formas:
- texto;
- imagem;
- vídeo;
- áudio;
- infografia;
- artigo;
- email;
- guia;
- podcast;
- webinar;
- aula;
- caso de estudo;
- calculadora interativa;
- demonstração;
- checklist.
Quase tudo aquilo que uma marca comunica pode, portanto, ser considerado conteúdo.
Mas isso não significa que tudo seja marketing de conteúdo.
2.1. O que acrescenta o “marketing”?
O marketing de conteúdo exige intenção estratégica.
Hollebeek e Macky descrevem o marketing de conteúdo digital como a criação e distribuição de conteúdo relevante e relacionado com a marca, dirigido a clientes atuais ou potenciais, com o objetivo de estimular:
- envolvimento;
- confiança;
- valor;
- e uma relação favorável com a marca.
Esta definição ajuda-nos a identificar alguns critérios essenciais.
O conteúdo deve ser:
Relevante para alguém
Tem de partir de uma necessidade, interesse, problema, dúvida ou desejo real.
Relacionado com a marca
Deve fazer sentido dentro daquilo que a empresa representa, sabe ou vende.
Útil para a relação
Deve ajudar o público a compreender, avaliar, confiar ou avançar.
Criado com uma finalidade de marketing
Não precisa de vender diretamente em todas as peças.
Mas deverá contribuir para um percurso que aproxima a pessoa:
- da marca;
- da solução;
- ou de uma decisão.
3. Exemplo: uma nutricionista
Imagine uma nutricionista que publica uma fotografia do seu almoço com a legenda:
“Almoço saudável de hoje.”
Isto é conteúdo.
Mas poderá não existir grande intenção estratégica.
Agora imagine que publica:
“Três razões pelas quais tens fome uma hora depois do almoço — mesmo quando escolheste alimentos considerados saudáveis.”
Depois explica três possíveis fatores:
- falta de proteína;
- pouca fibra;
- quantidade insuficiente de comida para as necessidades da pessoa.
No final, convida o leitor a avaliar se o seu almoço contém estes elementos.
Agora o conteúdo:
- parte de um problema reconhecível;
- ensina algo;
- demonstra conhecimento;
- está relacionado com o serviço da profissional;
- e ajuda a pessoa a dar um pequeno passo.
A diferença não está apenas no formato.
Está na função.
4. Marketing de conteúdo não é publicidade disfarçada
Uma das confusões mais frequentes consiste em pensar que marketing de conteúdo significa criar anúncios com aparência de conteúdo normal.
Por exemplo:
“Sabias que é muito importante cuidar da pele?”
E logo de seguida:
“Por isso, compra já o nosso creme.”
Tecnicamente, houve uma tentativa educativa.
Durou aproximadamente sete palavras.
Depois, o conteúdo correu diretamente para a caixa registadora.
4.1. O papel da publicidade
A publicidade procura normalmente provocar uma resposta mais direta.
Pode apresentar:
- uma oferta;
- um benefício;
- um produto;
- um preço;
- uma promoção;
- um prazo;
- uma chamada para a ação.
Por exemplo:
“20% de desconto até domingo. Comprar agora.”
Existe uma intenção comercial imediata e explícita.
4.2. O papel do marketing de conteúdo
O marketing de conteúdo pode desempenhar uma função mais ampla.
Pode ajudar uma pessoa a:
- reconhecer um problema;
- compreender uma causa;
- avaliar alternativas;
- aprender um processo;
- reduzir a incerteza;
- conhecer uma abordagem;
- ou utilizar melhor uma solução.
Hollebeek e Macky destacam precisamente o papel do conteúdo na construção de:
- envolvimento;
- confiança;
- valor;
e não apenas na persuasão transacional direta.
Isto não significa que marketing de conteúdo nunca venda.
Significa que:
nem todas as peças precisam de pedir uma compra imediata.
A venda pode resultar de uma relação construída através de várias interações.
5. Publicidade e marketing de conteúdo podem trabalhar juntos
Não é necessário transformar esta distinção numa guerra moral.
Publicidade não é má.
Marketing de conteúdo não é automaticamente puro, autêntico ou superior.
São ferramentas diferentes.
E podem trabalhar em conjunto.
5.1. O que a publicidade pode fazer?
A publicidade pode:
- aumentar a distribuição;
- chegar a um público específico;
- voltar a alcançar visitantes;
- promover uma oferta;
- acelerar uma campanha;
- gerar tráfego;
- captar procura.
5.2. O que o conteúdo pode fazer?
O conteúdo pode:
- educar;
- criar familiaridade;
- gerar confiança;
- preparar a decisão;
- reduzir objeções;
- demonstrar conhecimento;
- melhorar a resposta à publicidade.
5.3. Exemplo: uma clínica
Imagine uma clínica que cria um guia:
“Sinais de que uma dor merece avaliação profissional.”
Depois:
- promove o guia através de publicidade local;
- chega a pessoas potencialmente relevantes;
- apresenta posteriormente um vídeo sobre o funcionamento da primeira consulta;
- esclarece dúvidas;
- e, por fim, convida as pessoas interessadas a marcar uma avaliação.
O conteúdo e a publicidade fazem parte do mesmo percurso.
O problema não está em promover.
O problema surge quando se tenta vender antes de a pessoa compreender suficientemente:
- o problema;
- a solução;
- o valor;
- ou a razão para confiar.
6. Marketing de conteúdo não é apenas redes sociais
Outra confusão muito comum é afirmar:
“Temos uma estratégia de marketing de conteúdo porque publicamos no Instagram.”
As redes sociais são canais de distribuição.
Não são o próprio marketing de conteúdo.
O conteúdo também pode existir em:
- websites;
- blogs;
- newsletters;
- emails;
- YouTube;
- podcasts;
- webinars;
- aplicações;
- guias;
- áreas de cliente;
- páginas de produto;
- materiais de formação.
Uma empresa pode fazer excelente marketing de conteúdo sem publicar diariamente nas redes sociais.
Da mesma forma, pode publicar todos os dias no Instagram e fazer marketing de conteúdo pouco estratégico.
6.1. O foco deve estar na jornada
Terho e os seus colegas descrevem o marketing de conteúdo digital como uma abordagem que exige:
- conhecimento da jornada do cliente;
- desenvolvimento de um portefólio de conteúdos útil;
- distribuição desse conteúdo de acordo com as necessidades do comprador em diferentes momentos.
Repare que o foco está:
- na jornada;
- nas necessidades;
- no portefólio;
- e no momento de entrega.
Não apenas em alimentar um perfil.
7. Marketing de conteúdo não é publicar dicas aleatórias
As dicas são um formato extremamente popular.
Por exemplo:
- “Cinco dicas para melhorar…”
- “Três erros que prejudicam…”
- “Sete formas de…”
- “Dez coisas que precisa de saber…”
As listas funcionam porque:
- facilitam a leitura;
- organizam informação;
- e prometem valor rápido.
Contudo, uma sucessão infinita de dicas não constitui necessariamente uma estratégia.
7.1. Exemplo: uma empresa de contabilidade
Imagine uma empresa de contabilidade que publica:
- uma dica sobre produtividade;
- uma frase sobre liderança;
- um conselho sobre redes sociais;
- uma curiosidade fiscal;
- uma notícia económica;
- e uma fotografia de café numa segunda-feira.
Existe conteúdo.
Mas importa perguntar:
- Que ideia central está a ser construída?
- Que problema específico está a ser trabalhado?
- Que público deverá sentir que esta empresa compreende a sua situação?
- Pelo que pretende a empresa ser reconhecida?
Marketing de conteúdo não significa distribuir informação sem critério.
Significa selecionar e organizar informação para ajudar um público a percorrer um caminho.
7.2. O papel estratégico de uma dica
Uma dica pode ser útil quando está relacionada com:
- um problema;
- um posicionamento;
- uma linha editorial;
- uma fase da jornada;
- ou uma mensagem que a marca pretende consolidar.
Caso contrário, o resultado pode transformar-se numa espécie de:
enciclopédia aleatória com logótipo.
8. Marketing de conteúdo não é dar tudo gratuitamente
Alguns profissionais evitam criar conteúdos realmente úteis porque pensam:
“Se eu explicar demasiado, ninguém me vai contratar.”
Esta preocupação pode ser legítima em determinados contextos.
Mas frequentemente resulta de uma confusão entre diferentes níveis de valor:
- informação;
- conhecimento;
- diagnóstico;
- aplicação;
- personalização;
- execução;
- acompanhamento.
8.1. Exemplo: fisioterapia
Uma fisioterapeuta pode explicar:
- porque determinadas dores surgem;
- que fatores podem agravá-las;
- porque o movimento pode ser importante;
- quando deve ser procurada avaliação profissional.
Isso não significa que o paciente consiga:
- avaliar sozinho todas as causas possíveis;
- realizar um diagnóstico;
- construir um plano clínico;
- adaptar o tratamento;
- acompanhar a evolução.
8.2. Exemplo: consultoria de conteúdo
Uma consultora pode explicar como definir pilares de conteúdo.
Isso não significa que a empresa consiga automaticamente:
- realizar investigação;
- analisar clientes;
- escolher os pilares certos;
- transformar esses pilares num calendário;
- executar;
- medir;
- e ajustar a estratégia.
8.3. Exemplo: contabilidade
Uma contabilista pode ensinar:
- que indicadores devem ser acompanhados;
- porque são importantes;
- ou como interpretar determinadas noções financeiras.
Isso não elimina a necessidade de:
- conhecimento técnico;
- acompanhamento;
- personalização;
- ou responsabilidade fiscal.
8.4. O conteúdo gratuito e o serviço pago podem entregar coisas diferentes
O conteúdo pode mostrar:
- o que considerar;
- porque é importante;
- que erros evitar;
- qual é a lógica de um processo.
O serviço pago poderá oferecer:
- diagnóstico;
- personalização;
- execução;
- acesso;
- redução de risco;
- acompanhamento;
- poupança de tempo;
- tomada de decisão especializada.
Dar valor não significa entregar indiscriminadamente todo o trabalho.
Significa demonstrar que existe:
conhecimento, experiência e método por trás da solução.
9. Marketing de conteúdo não é entretenimento sem direção
Entreter pode ser uma função perfeitamente legítima do conteúdo.
Humor, histórias, emoção e criatividade podem:
- captar atenção;
- aumentar memorização;
- simplificar assuntos;
- criar proximidade;
- tornar a marca mais humana.
O problema não é entreter.
O problema surge quando o entretenimento deixa de possuir qualquer ligação estratégica com a marca.
9.1. Exemplo: um advogado
Imagine um advogado que publica vídeos humorísticos sobre situações jurídicas comuns.
Estes conteúdos podem:
- captar atenção;
- simplificar temas difíceis;
- demonstrar personalidade;
- aproximar o profissional do público;
- ensinar.
Existe ligação entre:
- entretenimento;
- especialidade;
- público;
- posicionamento.
Agora imagine que o mesmo advogado passa a publicar exclusivamente desafios de dança sem relação com a sua área.
Pode conseguir visualizações.
Pode crescer rapidamente.
Mas importa perguntar:
- Que associação está a construir?
- Que público está a atrair?
- Que função desempenha esse conteúdo?
- Aproxima alguém da oferta?
Atenção e relevância não são sinónimos.
9.2. A ligação que deve permanecer
O marketing de conteúdo deve conservar uma ligação entre:
atenção captada → ideia comunicada → identidade da marca → próximo passo
O entretenimento pode fazer parte deste percurso.
Mas não deve necessariamente substituir o percurso.
10. Marketing de conteúdo não é apenas ensinar
Conteúdo educativo é importante.
Contudo, uma estratégia composta exclusivamente por explicações pode ficar incompleta.
As pessoas não tomam decisões apenas com base em informação.
Também consideram:
- confiança;
- identificação;
- emoção;
- prova;
- risco;
- conveniência;
- experiência;
- perceção de valor.
Por isso, uma estratégia de conteúdo pode incluir diferentes naturezas.
11. Diferentes naturezas de conteúdo
Conteúdo educativo
Ajuda o público a compreender:
- problemas;
- causas;
- soluções;
- conceitos;
- critérios.
Conteúdo técnico
Explica:
- processos;
- características;
- funcionalidades;
- funcionamento;
- métodos.
Conteúdo científico
Apresenta:
- estudos;
- dados;
- estatísticas;
- evidência;
- investigação.
Conteúdo de opinião
Mostra:
- o ponto de vista;
- as crenças;
- a posição da marca;
- aquilo que a diferencia.
Conteúdo de prova
Apresenta:
- casos;
- resultados;
- testemunhos;
- demonstrações;
- experiências de clientes.
Conteúdo relacional
Mostra:
- pessoas;
- bastidores;
- valores;
- cultura;
- experiências;
- histórias.
Conteúdo comercial
Explica claramente:
- a oferta;
- os benefícios;
- o funcionamento;
- o preço, quando adequado;
- e o próximo passo.
Conteúdo de retenção
Ajuda clientes existentes a:
- utilizar melhor a solução;
- obter melhores resultados;
- resolver dúvidas;
- continuar a relação;
- ou descobrir outras ofertas.
Uma estratégia equilibrada não publica apenas aquilo que ensina.
Publica aquilo que a pessoa precisa de encontrar em cada momento.
12. Marketing de conteúdo não é uma campanha isolada
Uma única publicação pode ser excelente.
Mas marketing de conteúdo depende frequentemente de continuidade.
Uma pessoa pode precisar de vários contactos para:
- reconhecer a marca;
- compreender o que faz;
- entender a sua abordagem;
- desenvolver confiança;
- considerar a solução.
Isto não significa repetir literalmente o mesmo conteúdo.
Significa construir uma narrativa coerente.
12.1. Exemplo de repetição estratégica
Imagine que uma empresa defende esta ideia:
“Uma boa estratégia de conteúdo começa antes da publicação.”
Essa tese pode aparecer num:
- vídeo sobre objetivos;
- artigo sobre buyer personas;
- carrossel sobre pilares;
- caso de cliente;
- newsletter;
- apresentação do serviço.
Os conteúdos são diferentes.
A ideia central permanece.
A repetição ajuda a criar associação entre a marca e uma determinada posição.
Por isso:
Marketing de conteúdo não exige encontrar constantemente uma ideia completamente nova.
Pode significar encontrar formas novas, úteis e relevantes de reforçar ideias importantes.
13. As três condições de um conteúdo estratégico
Uma forma simples de avaliar uma peça de conteúdo é verificar três condições.
Condição 1 — Relevância para o público
O conteúdo deve partir de:
- uma necessidade;
- um interesse;
- uma pergunta;
- uma objeção;
- um problema;
- um desejo.
Pergunta:
Porque deveria esta pessoa prestar atenção?
Condição 2 — Coerência com a marca
O conteúdo deverá reforçar:
- o posicionamento;
- a proposta de valor;
- a área de conhecimento;
- os valores;
- ou a relação com a solução.
Pergunta:
Porque faz sentido ser esta marca a falar sobre isto?
Condição 3 — Função no percurso
O conteúdo deve ajudar a provocar alguma mudança.
Essa mudança pode consistir em:
- reconhecer;
- compreender;
- confiar;
- considerar;
- agir;
- utilizar;
- recomendar.
Pergunta:
O que queremos que esta pessoa pense, sinta ou faça depois deste conteúdo?
Quando estas três condições estão presentes, existe intenção estratégica.
Quando não estão, pode existir uma publicação interessante.
Mas não necessariamente marketing de conteúdo.
14. Exemplo completo: estética animal
Imagine uma profissional de estética animal.
Vamos observar como o mesmo negócio pode utilizar diferentes tipos de conteúdo.
Conteúdo sem grande função estratégica
“Hoje recebemos o Max. Ficou lindo depois do banho.”
É simpático.
Mostra um resultado.
Mas comunica relativamente pouca informação a alguém que ainda não conhece a profissional.
Conteúdo de atração
“Porque é que o teu cão começa a cheirar mal poucos dias depois do banho?”
Este conteúdo parte de uma dúvida reconhecível.
Conteúdo educativo
“Três causas possíveis para o odor regressar rapidamente: secagem incompleta, oleosidade da pele ou produtos inadequados.”
Aumenta a compreensão.
Conteúdo de confiança
“Como adaptamos o banho a cães que demonstram medo ou ansiedade.”
Mostra:
- método;
- experiência;
- cuidado;
- atenção ao bem-estar do animal.
Conteúdo de prova
Pode ser apresentado um caso real com:
- contexto;
- situação inicial;
- procedimento;
- resultado.
Conteúdo comercial
“O nosso serviço inclui avaliação do pelo, banho adaptado, secagem, cuidados de ouvidos, patas e unhas.”
Aqui, a oferta é apresentada de forma direta.
Conteúdo de retenção
“Como manter o pelo escovado entre visitas e evitar a formação de nós.”
Ajuda quem já utilizou o serviço a obter um melhor resultado.
14.1. O resultado
Agora existe um verdadeiro portefólio de conteúdos.
Cada peça possui uma função diferente.
Mas todas contribuem para construir a mesma perceção:
esta profissional compreende o animal, educa os tutores e presta um serviço cuidadoso.
15. Segundo exemplo: software para pequenos negócios
Imagine um software de gestão de tarefas.
Publicação genérica
“Organize melhor a sua equipa com a nossa plataforma.”
A frase pode ser verdadeira.
Mas é semelhante à comunicação de inúmeras ferramentas.
Conteúdo de atração
“Cinco sinais de que a tua equipa não tem falta de produtividade — tem falta de clareza.”
Conteúdo de problema
“Porque é que tarefas sem responsável e prazo acabam sempre por desaparecer?”
Conteúdo de consideração
“Quando deves utilizar uma lista simples e quando precisas de um sistema de gestão?”
Conteúdo de prova
“Como uma equipa reduziu reuniões semanais depois de centralizar responsabilidades.”
Conteúdo comercial
“Vê como atribuir tarefas, definir prioridades e acompanhar bloqueios na plataforma.”
A comunicação deixou de apresentar apenas funcionalidades.
Passou a ajudar o potencial cliente a compreender:
porque precisa dessas funcionalidades.
16. Como saber se está apenas a preencher o calendário
Antes de aprovar um conteúdo, faça as seguintes perguntas:
1. Que pessoa queremos alcançar?
Não responda apenas:
“Os nossos seguidores.”
Defina a pessoa ou situação específica.
2. Que problema, interesse ou momento estamos a trabalhar?
Que realidade do cliente torna este conteúdo relevante?
3. Que ideia principal queremos comunicar?
O que deverá permanecer depois da pessoa consumir o conteúdo?
4. Como está ligado à oferta ou ao posicionamento?
Porque é relevante que seja a sua marca a abordar este tema?
5. Que fase da jornada apoia?
Por exemplo:
- descoberta;
- compreensão;
- consideração;
- decisão;
- pós-compra.
6. Que mudança pretende provocar?
Pretende que a pessoa:
- perceba algo?
- mude uma crença?
- confie?
- considere uma alternativa?
- avance?
7. Qual é o próximo passo possível?
Pode ser:
- guardar;
- comentar;
- aplicar uma dica;
- visitar uma página;
- pedir informação;
- inscrever-se;
- marcar;
- comprar.
Nem todas as peças precisam de responder de forma intensa a todas estas perguntas.
Um conteúdo relacional pode ter uma função mais leve.
Uma Story pode simplesmente aumentar proximidade.
Uma publicação de bastidores pode humanizar.
Mas, quando se observa o plano no seu conjunto, deve existir lógica.
Se ninguém consegue explicar porque determinado conteúdo está no calendário, talvez esteja lá apenas porque faltava alguma coisa para quinta-feira.
E quinta-feira, apesar da sua importância histórica, não é um objetivo de marketing.
Exercício prático — Auditoria de cinco conteúdos
Escolha cinco publicações recentes da sua marca.
Para cada uma, responda às perguntas seguintes.
Publicação 1
Tema:
Público:
Necessidade, problema, desejo ou objeção:
Mensagem principal:
Função:
- Atrair
- Educar
- Construir confiança
- Apresentar a oferta
- Converter
- Apoiar clientes
- Outra: ______________________
Próximo passo:
Publicação 2
Tema:
Público:
Necessidade:
Mensagem principal:
Função:
Próximo passo:
Publicação 3
Tema:
Público:
Necessidade:
Mensagem principal:
Função:
Próximo passo:
Publicação 4
Tema:
Público:
Necessidade:
Mensagem principal:
Função:
Próximo passo:
Publicação 5
Tema:
Público:
Necessidade:
Mensagem principal:
Função:
Próximo passo:
Passo 2 — Avaliação estratégica
Analise agora as cinco publicações.
Pergunte:
- Existe um público suficientemente claro?
- Os conteúdos respondem a necessidades reais?
- Há demasiadas publicações com a mesma função?
- Existem conteúdos de confiança?
- Existe conteúdo comercial?
- Existe conteúdo para clientes atuais?
- As mensagens reforçam o mesmo posicionamento?
- Existe um percurso ou apenas cinco temas independentes?
Principais conclusões:
Passo 3 — Reescrever uma publicação
Escolha uma das cinco publicações que considera menos estratégica.
Mantenha o tema original.
Mas acrescente quatro elementos.
1. Uma necessidade concreta
Que problema, dúvida, desejo ou objeção torna o conteúdo relevante?
2. Uma ideia central
Qual é a principal mensagem que deverá ficar?
3. Um exemplo
Que exemplo concreto poderá tornar a explicação mais clara?
4. Uma ação lógica
O que deverá acontecer depois?
Nova versão da publicação
Checklist das três condições
Antes de considerar o conteúdo concluído, responda:
É relevante para a pessoa certa?
- Sim
- Parcialmente
- Não
Reforça aquilo pelo qual queremos ser reconhecidos?
- Sim
- Parcialmente
- Não
Ajuda alguém a avançar?
- Sim
- Parcialmente
- Não
Se as três respostas forem positivas, existe uma forte probabilidade de estar perante mais do que uma publicação isolada.
Está perante uma peça de estratégia.
17. Conclusão
Marketing de conteúdo não é simplesmente publicar.
Não é:
- produzir dicas sem direção;
- transformar todas as publicações em anúncios;
- entregar gratuitamente todo o trabalho;
- entreter sem ligação à marca;
- ensinar indefinidamente sem apresentar uma oferta;
- ou alimentar redes sociais apenas para manter o perfil ativo.
Marketing de conteúdo consiste em criar e distribuir informação ou experiências relevantes que ajudem uma pessoa a avançar na sua relação com:
- um problema;
- uma solução;
- e uma marca.
Pode ajudá-la a:
- reconhecer;
- compreender;
- confiar;
- comparar;
- decidir;
- utilizar;
- e regressar.
A diferença entre conteúdo e marketing de conteúdo não está necessariamente na qualidade visual.
Está na intenção.
Por isso, antes de perguntar:
“Este conteúdo está bonito?”
Pergunte:
É relevante para a pessoa certa?
Reforça aquilo pelo qual queremos ser reconhecidos?
Ajuda alguém a avançar?
Quando a resposta é sim, provavelmente existe mais do que uma publicação.
Existe uma peça de estratégia.
Quando a resposta é não, talvez exista apenas mais um post.
O que não é um crime.
Mas também não precisa de ser tratado como uma campanha de transformação empresarial.
Ideias-chave da aula
- Conteúdo e marketing de conteúdo não são sinónimos.
- O marketing de conteúdo exige intenção estratégica.
- Um conteúdo estratégico deve ser relevante para alguém e coerente com a marca.
- Nem todas as peças precisam de vender diretamente.
- Publicidade e marketing de conteúdo podem complementar-se.
- As redes sociais são canais de distribuição, não a estratégia.
- Dicas aleatórias não formam necessariamente uma narrativa estratégica.
- Dar valor gratuitamente não significa entregar todo o serviço.
- Entretenimento é útil quando permanece ligado à mensagem e à marca.
- Uma estratégia não deve ser composta apenas por conteúdo educativo.
- Prova, opinião, relação, conteúdo comercial e retenção também desempenham funções importantes.
- Marketing de conteúdo depende frequentemente de continuidade e repetição coerente.
- Uma marca não precisa de inventar uma ideia completamente nova em todas as publicações.
- As três condições de um conteúdo estratégico são relevância, coerência e função.
- Avaliar o portefólio completo é mais importante do que analisar cada post isoladamente.
- O calendário editorial deve representar um percurso, não apenas uma sequência de datas preenchidas.
Referências
Hollebeek, L. D., & Macky, K. (2019). Digital content marketing’s role in fostering consumer engagement, trust, and value: Framework, fundamental propositions, and implications. Journal of Interactive Marketing, 45, 27–41. https://doi.org/10.1016/j.intmar.2018.07.003
Holliman, G., & Rowley, J. (2014). Business to business digital content marketing: Marketers’ perceptions of best practice. Journal of Research in Interactive Marketing, 8(4), 269–293. https://doi.org/10.1108/JRIM-02-2014-0013
Pandey, A., Sahu, R., & Dash, M. K. (2019). Social media marketing impact on the B2B buyers’ brand engagement and purchase intention. International Journal of Business Information Systems, 32(1), 1–23.
Terho, H., Mero, J., Siutla, L., & Jaakkola, E. (2022). Digital content marketing in business markets: Activities, consequences, and contingencies along the customer journey. Industrial Marketing Management, 105, 294–310. https://doi.org/10.1016/j.indmarman.2022.06.006


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