No final desta aula, deverá ser capaz de: distinguir um canal digital de uma estratégia de marketing; identificar a função que cada canal deve desempenhar; selecionar canais de acordo com o objetivo, o público e a jornada do cliente; compreender a diferença entre captar procura e criar procura; avaliar se a empresa possui recursos para manter determinado canal; distinguir canais próprios de plataformas de terceiros; construir um percurso digital com canais de descoberta, relação e conversão; utilizar uma matriz de avaliação para priorizar investimentos.
A sua marca não precisa de estar em todo o lado
Existe uma recomendação de marketing que continua a ser repetida com uma confiança impressionante:
“A sua empresa tem de estar em todo o lado.”
Isso significaria estar presente em:
- Instagram;
- Facebook;
- TikTok;
- LinkedIn;
- YouTube;
- Pinterest;
- email;
- blog;
- podcast;
- e, aparentemente, em qualquer nova plataforma que seja lançada durante a semana.
Além disso, a empresa deveria:
- responder a todas as mensagens em cinco minutos;
- acompanhar diariamente as tendências;
- gravar vídeos;
- escrever artigos;
- enviar newsletters;
- analisar métricas;
- e publicar com elevada frequência.
Tudo isto enquanto continua a gerir o negócio.
Dormir seria, naturalmente, opcional.
A realidade é muito menos dramática:
Uma marca não precisa de estar em todos os canais. Precisa de estar nos canais certos.
Um canal só é adequado quando ajuda a empresa a:
- alcançar as pessoas certas;
- num momento relevante da jornada;
- com uma mensagem apropriada;
- através de um formato adequado;
- e de uma forma que a empresa consegue manter.
Abrir uma conta é simples.
Construir uma presença útil, consistente e orientada para um objetivo é uma tarefa diferente.
Escolher canais com estratégia significa evitar decisões baseadas apenas:
- na popularidade da plataforma;
- naquilo que os concorrentes fazem;
- no gosto pessoal da equipa;
- ou em conteúdos alarmistas que afirmam:
“Se não entrar agora, ficará para trás.”
Um canal não é uma estratégia
Um canal é o espaço onde uma interação pode acontecer.
Por exemplo:
- o Instagram é um canal;
- o email é um canal;
- o Google é um canal;
- o website é um canal;
- o WhatsApp é um canal;
- o YouTube é um canal.
Nenhum destes canais sabe, por iniciativa própria:
- quem é o cliente da empresa;
- que problema a empresa resolve;
- qual é o seu posicionamento;
- o que está a tentar vender;
- que mensagem deve comunicar;
- ou que resultado pretende alcançar.
Estas decisões pertencem à estratégia.
Kannan e Li apresentam o marketing digital como um processo no qual diferentes tecnologias e pontos de contacto influenciam a relação entre empresas e clientes ao longo da jornada.
A ideia central não consiste em escolher uma plataforma isolada.
Consiste em compreender como os vários contactos contribuem para o processo de marketing.
Por isso, a pergunta estratégica não deverá ser apenas:
“Devemos estar no TikTok?”
A pergunta deverá ser:
“Que função precisamos de cumprir e será o TikTok um canal adequado para essa função?”
A diferença parece pequena.
Contudo, pode evitar meses de esforço dedicado a produzir conteúdo para uma audiência que nunca teria intenção ou condições de comprar.
Cada canal deve ter um trabalho
Os canais podem ser comparados aos membros de uma equipa.
Nem todos desempenham a mesma função.
Um canal pode ajudar a marca a:
- ser descoberta;
- captar pessoas que já procuram uma solução;
- explicar uma oferta complexa;
- desenvolver autoridade;
- manter uma relação;
- facilitar uma compra;
- apoiar o cliente;
- ou incentivar a recompra.
Exemplo de um percurso com vários canais
Uma rede social pode ajudar uma pessoa a descobrir uma clínica.
Depois:
- O Google ajuda-a a encontrar clínicas próximas.
- O website explica os tratamentos.
- As avaliações reduzem a insegurança.
- Os conteúdos demonstram conhecimento.
- Uma página de marcação facilita a ação.
- O email ou as mensagens permitem manter a relação.
A conversão pode resultar da combinação de todos estes contactos.
Não significa que exista um único canal responsável por toda a decisão.
A investigação sobre canais e publicidade mostra que diferentes formas de comunicação podem desempenhar papéis distintos na jornada e produzir efeitos diferentes na conversão.
Num estudo que comparou nove formas de publicidade online e offline, de Haan, Wiesel e Pauwels encontraram diferenças significativas entre os vários canais e categorias de produto.
A conclusão prática é:
Não existe um canal universalmente superior.
Existe um canal mais ou menos adequado de acordo com:
- o objetivo;
- o público;
- o momento da jornada;
- o tipo de produto;
- o risco da decisão;
- e o contexto.
Primeira pergunta: qual é o objetivo?
Antes de escolher um canal, é necessário definir o resultado procurado.
A empresa pretende:
- aumentar a notoriedade?
- ser encontrada por pessoas que já procuram uma solução?
- educar o mercado?
- gerar contactos?
- vender diretamente?
- construir autoridade?
- manter clientes?
- estimular a recompra?
- preencher horários disponíveis?
- lançar uma nova solução?
Objetivos diferentes exigem funções diferentes.
Exemplo: um restaurante local
Imagine um restaurante local.
O seu principal desafio poderá não ser:
“Criar uma comunidade internacional de amantes de gastronomia.”
Poderá ser simplesmente aparecer quando alguém pesquisa:
“Restaurante perto de mim.”
Neste caso, determinados elementos poderão ser prioritários:
- presença nas pesquisas locais;
- Google Business Profile atualizado;
- avaliações;
- fotografias;
- horário correto;
- menu acessível;
- localização;
- e facilidade de reserva.
Estes elementos poderão ser mais importantes do que publicar quatro vídeos por dia numa rede social.
Exemplo: uma consultora B2B
Considere agora uma consultora que vende projetos complexos a outras empresas.
Os potenciais clientes poderão precisar de:
- ler análises;
- conhecer a experiência da consultora;
- compreender a metodologia;
- ver casos reais;
- avaliar resultados anteriores;
- comparar alternativas;
- e falar diretamente com alguém.
Neste contexto, os canais prioritários poderão ser:
- um website sólido;
- conteúdos aprofundados;
- LinkedIn;
- email;
- casos de estudo;
- reuniões;
- e contacto pessoal.
O objetivo vem antes da plataforma.
Caso contrário, uma empresa poderá acabar por medir o sucesso de um restaurante através do número de seguidores na Austrália.
É certamente um público encantador.
Talvez não faça a viagem para jantar na sexta-feira.
Segunda pergunta: onde e como o cliente procura?
Os canais não devem ser escolhidos apenas com base naquilo que o empresário ou a equipa gostam de utilizar.
É necessário estudar o comportamento do cliente.
Pergunte:
- Onde procura informação?
- Que plataformas utiliza para descobrir marcas?
- Onde compara alternativas?
- Em quem confia?
- Prefere ler, ouvir ou ver?
- Pesquisa ativamente?
- Precisa de ser interrompido por uma mensagem relevante?
- Fala com outras pessoas antes de decidir?
- Que canal utiliza quando pretende esclarecer dúvidas?
- Onde espera encontrar avaliações?
- Como prefere entrar em contacto?
Captar procura e criar procura
Existe uma diferença importante entre captar procura e criar procura.
Captar procura
Captar procura significa aparecer perante alguém que já reconhece a necessidade e está ativamente à procura de uma solução.
Exemplo:
Uma pessoa pesquisa no Google:
“Canalizador de urgência em Lisboa.”
Essa pessoa:
- reconhece o problema;
- procura uma resposta;
- demonstra intenção;
- e poderá querer agir rapidamente.
Os canais de pesquisa são especialmente importantes nestas situações.
Criar procura
Criar procura significa despertar atenção, consciência ou interesse antes de existir uma pesquisa ativa.
Exemplo:
Uma pessoa vê um vídeo que explica um problema que ainda não tinha identificado claramente.
O conteúdo poderá levá-la a pensar:
- “Isto acontece-me.”
- “Não sabia que isto era um problema.”
- “Talvez precise de procurar uma solução.”
- “Nunca tinha considerado esta alternativa.”
As redes sociais, os vídeos recomendados, as colaborações e a publicidade de descoberta podem desempenhar esta função.
Diferentes negócios exigem diferentes equilíbrios
Uma empresa que vende um serviço urgente poderá beneficiar mais de canais de pesquisa.
Uma marca que apresenta uma categoria nova poderá precisar de investir primeiro em:
- educação;
- descoberta;
- demonstração;
- e criação de consciência.
Uma solução conhecida pode ser procurada diretamente.
Uma solução desconhecida precisa de ser explicada antes de ser pesquisada.
Por isso, a escolha do canal depende também do grau de consciência do mercado.
Terceira pergunta: em que fase da jornada se encontra a pessoa?
O mesmo cliente pode utilizar canais diferentes ao longo da decisão.
Um percurso possível poderá ser:
- Descobre uma ideia num vídeo curto.
- Pesquisa o tema num motor de pesquisa.
- Visita o website da empresa.
- Consulta as redes sociais.
- Lê avaliações.
- Analisa casos ou testemunhos.
- Envia uma mensagem.
- Marca uma reunião ou realiza uma compra.
A escolha do canal depende também da natureza da interação.
Polo e Sesé estudaram a escolha de canais para compras e comunicações e demonstraram que os consumidores não utilizam necessariamente o mesmo canal para todas as interações.
A escolha pode variar consoante:
- o objetivo;
- o risco percebido;
- a complexidade;
- a familiaridade;
- e a relação entre o cliente e a empresa.
Um único canal não precisa de fazer tudo
Não é necessário obrigar um único canal a desempenhar todas as funções.
Por exemplo:
- o Instagram não precisa de explicar sozinho uma consultoria complexa;
- o website não precisa de criar sozinho toda a proximidade emocional;
- o email não precisa de ser o primeiro ponto de descoberta;
- uma reunião não precisa de ensinar todo o mercado desde o início;
- uma página de vendas não precisa de compensar uma ausência total de confiança.
Cada canal pode conduzir ao seguinte.
O objetivo não consiste em prender o cliente numa plataforma.
Consiste em facilitar a sua progressão.
Canal e fase da jornada
Descoberta inicial
A pessoa poderá entrar em contacto através de:
- Reels;
- TikTok;
- vídeos recomendados;
- anúncios;
- partilhas;
- artigos;
- influenciadores;
- ou pesquisa.
Compreensão
Poderá recorrer a:
- website;
- blog;
- YouTube;
- carrosséis;
- newsletters;
- podcasts;
- ou webinars.
Avaliação
Poderá consultar:
- avaliações;
- casos de estudo;
- testemunhos;
- comparações;
- páginas de serviços;
- demonstrações;
- ou perguntas frequentes.
Decisão
Poderá utilizar:
- formulário;
- página de marcação;
- chamada;
- mensagem;
- página de produto;
- reunião;
- ou checkout.
Pós-venda
A relação poderá continuar através de:
- email;
- mensagens;
- aplicação;
- comunidade;
- área de cliente;
- suporte;
- ou conteúdos exclusivos.
Quarta pergunta: que tipo de mensagem precisa de comunicar?
Algumas mensagens são simples e rápidas.
Outras exigem contexto e profundidade.
Exemplos
Um pequeno conselho poderá funcionar num vídeo curto.
Uma comparação detalhada poderá exigir:
- um artigo;
- um carrossel;
- uma tabela;
- ou um vídeo mais longo.
Uma demonstração poderá beneficiar de vídeo.
Um caso complexo poderá precisar de:
- uma página;
- uma apresentação;
- um webinar;
- ou uma reunião.
Uma atualização urgente poderá funcionar melhor numa mensagem direta.
Uma análise aprofundada poderá exigir:
- artigo;
- newsletter;
- podcast;
- estudo;
- ou vídeo longo.
O canal deve ser compatível com a natureza da mensagem.
O formato e a plataforma também influenciam o envolvimento
Shahbaznezhad, Dolan e Rashidirad analisaram mais de mil publicações no Facebook e no Instagram.
Os investigadores encontraram diferenças na forma como:
- o tipo de conteúdo;
- o formato;
- e a plataforma
se relacionavam com comportamentos ativos e passivos de engagement.
Isto significa que não basta decidir:
“Vamos publicar nas redes sociais.”
Também é necessário considerar:
- que tipo de conteúdo será utilizado;
- em que formato;
- em que plataforma;
- e que comportamento se pretende estimular.
Adaptar não significa criar tudo de raiz
Um erro frequente consiste em publicar exatamente o mesmo conteúdo em todas as plataformas, sem adaptação.
Por vezes, esta reutilização funciona.
Noutras situações, parece que a marca entrou numa sala diferente e continuou a mesma conversa sem verificar quem estava presente.
A ideia central pode ser reutilizada.
No entanto, deverão ser adaptados:
- o formato;
- o ritmo;
- a linguagem;
- a duração;
- a profundidade;
- a chamada para a ação;
- e a apresentação visual.
Exemplo de adaptação
Uma ideia central como:
“Publicar mais não resolve a falta de estratégia.”
Poderá tornar-se:
- um Reel curto com uma afirmação forte;
- um carrossel com cinco razões;
- um artigo aprofundado;
- uma newsletter com um caso real;
- um post de opinião no LinkedIn;
- ou uma aula em vídeo.
A mensagem permanece coerente.
A execução adapta-se ao contexto.
Quinta pergunta: existem recursos para manter o canal?
Esta é uma das perguntas menos glamorosas e mais importantes.
Antes de escolher um canal, a empresa deverá avaliar:
- Consegue criar o tipo de conteúdo exigido?
- Tem tempo para responder?
- Possui conhecimento técnico?
- Existe orçamento?
- Consegue manter uma frequência coerente?
- Quem será responsável?
- Como serão medidos os resultados?
- É possível adaptar os conteúdos?
- Existe capacidade para acompanhar comentários, mensagens e contactos?
Uma empresa poderá identificar cinco canais potencialmente interessantes.
Isso não significa que deva começar os cinco ao mesmo tempo.
É preferível desenvolver dois canais com uma função clara do que manter sete perfis cuja última publicação afirma:
“Feliz 2023.”
Escolher canais também significa escolher onde não investir
Dizer “não” a uma plataforma não significa que a plataforma seja má.
Significa apenas que, naquele momento, existem prioridades mais relevantes.
Uma estratégia deve respeitar a capacidade real de execução.
Porque uma estratégia teoricamente perfeita, mas impossível de manter, não é perfeita.
É ficção empresarial com boa formatação.
Recursos necessários por canal
Cada canal cria necessidades diferentes.
Redes sociais
Podem exigir:
- planeamento;
- vídeo;
- design;
- copywriting;
- resposta;
- moderação;
- e adaptação frequente.
Website ou blog
Podem exigir:
- escrita;
- SEO;
- manutenção técnica;
- atualização;
- análise;
- e otimização da conversão.
Pode exigir:
- captação de contactos;
- segmentação;
- automação;
- escrita;
- design;
- e análise.
YouTube
Pode exigir:
- guião;
- gravação;
- edição;
- thumbnails;
- SEO;
- e consistência.
Google Business Profile
Pode exigir:
- atualização;
- fotografias;
- publicações;
- respostas a avaliações;
- gestão de horários;
- e monitorização de pesquisas locais.
O canal deve ser avaliado não apenas pelo potencial, mas também pelo custo de o executar de forma competente.
Sexta pergunta: o canal é próprio ou pertence a terceiros?
Nem todos os canais proporcionam o mesmo grau de controlo.
Canais próprios
Um website e uma lista de email são normalmente considerados canais próprios.
A empresa possui maior controlo sobre:
- a experiência;
- os dados;
- o conteúdo;
- a organização;
- e a comunicação.
Outros exemplos podem incluir:
- aplicação própria;
- base de clientes;
- área reservada;
- comunidade gerida pela empresa;
- ou sistema de mensagens autorizado.
Plataformas de terceiros
As redes sociais são plataformas de terceiros.
A empresa pode construir uma presença, mas não controla completamente:
- o algoritmo;
- as funcionalidades;
- a distribuição;
- as regras;
- as políticas;
- ou a continuidade da plataforma.
O equilíbrio entre alcance e controlo
Isto não significa que a empresa deva abandonar as redes sociais e viver exclusivamente numa newsletter enviada a seis familiares.
Significa que não deverá construir todo o negócio num terreno que não controla.
As redes sociais podem ajudar a:
- encontrar audiência;
- despertar interesse;
- envolver pessoas;
- criar proximidade;
- e gerar tráfego.
Sempre que fizer sentido, uma parte dessa relação deverá ser encaminhada para ativos mais controláveis:
- website;
- lista de email;
- base de clientes;
- aplicação;
- sistema próprio;
- ou relação comercial direta.
O equilíbrio é importante:
Os canais de terceiros ajudam a descobrir audiência.
Os canais próprios ajudam a construir continuidade.
As seis principais funções dos canais
Em vez de memorizar uma lista de plataformas, é mais útil compreender seis funções.
Descoberta
Os canais de descoberta ajudam a alcançar pessoas que ainda não procuram diretamente a marca.
Podem incluir:
- redes sociais;
- vídeos recomendados;
- partilhas;
- colaborações;
- influenciadores;
- relações públicas;
- e publicidade.
Neste contexto, o conteúdo deve captar atenção através de:
- problemas;
- interesses;
- desejos;
- perguntas;
- histórias;
- ideias;
- curiosidade;
- ou identificação.
O objetivo não é explicar tudo.
É iniciar o contacto e criar relevância.
Pesquisa
Os canais de pesquisa captam pessoas que demonstram intenção.
Podem incluir:
- motores de pesquisa;
- pesquisas locais;
- marketplaces;
- diretórios;
- plataformas especializadas;
- e websites de comparação.
A pessoa não está apenas a passar tempo.
Está a procurar:
- uma resposta;
- um produto;
- um serviço;
- um profissional;
- uma localização;
- ou uma solução.
Nestes canais, é essencial trabalhar:
- palavras-chave;
- clareza;
- informação;
- reputação;
- disponibilidade;
- e facilidade de ação.
Educação e autoridade
Algumas decisões exigem mais informação.
Podem ser utilizados:
- artigos;
- vídeos aprofundados;
- webinars;
- newsletters;
- estudos de caso;
- páginas detalhadas;
- podcasts;
- demonstrações;
- e relatórios.
Estes canais e formatos podem ajudar a explicar:
- o problema;
- a metodologia;
- a solução;
- a diferença;
- a experiência;
- e as provas da empresa.
Terho e os seus colegas defendem que o marketing de conteúdo deve partir do conhecimento sobre a jornada do cliente.
A empresa deverá:
- desenvolver um portefólio de conteúdos valioso;
- e distribuir informação adequada às necessidades do cliente em cada momento.
Relação
Alguns canais ajudam a manter contacto ao longo do tempo.
Podem incluir:
- email;
- comunidades;
- mensagens;
- grupos;
- newsletters;
- e determinados formatos sociais.
São especialmente úteis quando:
- a decisão não é imediata;
- o cliente precisa de mais confiança;
- existe um ciclo de compra longo;
- ou a relação continua após a compra.
A função destes canais poderá ser:
- nutrir;
- informar;
- educar;
- acompanhar;
- recordar;
- e aprofundar a ligação.
Conversão
Os canais de conversão devem facilitar a ação.
Podem incluir:
- páginas de produto;
- páginas de serviços;
- sistemas de marcação;
- formulários;
- chamadas;
- mensagens comerciais;
- páginas de vendas;
- reuniões;
- e checkout.
Um excelente conteúdo perde valor quando o cliente chega ao final e não compreende:
- o que está a ser oferecido;
- quanto custa;
- como avançar;
- onde marcar;
- ou com quem deve falar.
A conversão exige:
- clareza;
- simplicidade;
- confiança;
- redução de obstáculos;
- e um próximo passo evidente.
Retenção
O marketing não termina no momento do pagamento.
Depois da compra, canais como:
- email;
- comunidades;
- suporte;
- aplicações;
- mensagens;
- áreas de cliente;
- e conteúdos exclusivos
podem ajudar o cliente a:
- utilizar melhor a solução;
- obter resultados;
- conhecer outras ofertas;
- renovar;
- recomprar;
- recomendar;
- e manter a relação.
A alternativa seria adquirir novos clientes todos os meses e, depois da compra, fingir que nunca os conhecemos.
Não é, normalmente, a estratégia mais eficiente.
Três exemplos práticos
Exemplo 1 — Empresa local de estética animal
Objetivo
Gerar marcações locais.
Canais prioritários
Google e presença local
Para captar pessoas que já procuram serviços na zona.
Instagram ou Facebook
Para educação, proximidade e demonstração do trabalho.
Avaliações
Para construir confiança.
Mensagens ou marcação online
Para facilitar a conversão.
Esta empresa provavelmente não precisa de começar por um podcast semanal sobre a história cultural dos penteados caninos.
Poderá ser fascinante.
Não é necessariamente prioritário.
Exemplo 2 — Software para empresas
Objetivo
Gerar demonstrações com decisores.
Canais prioritários
Website
Para explicar a solução e as funcionalidades.
Para construir autoridade e contacto profissional.
Conteúdos aprofundados
Para demonstrar conhecimento e apoiar a avaliação.
Para nutrir potenciais clientes.
Demonstrações e reuniões
Para converter.
Neste tipo de negócio, o processo de decisão pode:
- ser mais longo;
- envolver várias pessoas;
- exigir comparação;
- e apresentar maior risco percebido.
Os canais devem apoiar uma decisão mais racional e complexa.
Exemplo 3 — Curso online
Objetivo
Atrair audiência e converter inscrições.
Canais prioritários
Conteúdo educativo em vídeo, pesquisa ou redes sociais
Para gerar descoberta e demonstrar conhecimento.
Lead magnet ou aula gratuita
Para captar contactos.
Para aprofundar a relação.
Página de vendas
Para apresentar o programa.
Webinar ou sessão de esclarecimento
Para responder a dúvidas e objeções.
Neste caso, o conteúdo gratuito não serve apenas para “dar dicas”.
Serve para preparar a pessoa para:
- compreender o problema;
- experimentar o método;
- avaliar a competência;
- e considerar a oferta.
Erros frequentes na escolha de canais
Escolher pelo tamanho da plataforma
Uma plataforma pode ter milhões de utilizadores e continuar a ser irrelevante para determinado objetivo.
A empresa não precisa de alcançar toda a gente.
Precisa de alcançar as pessoas certas.
Copiar os concorrentes
O facto de um concorrente estar numa plataforma não significa que obtenha resultados.
Pode estar apenas tão confuso quanto a sua empresa, mas com uma identidade visual mais convincente.
A presença do concorrente é um dado a analisar.
Não é uma instrução automática.
Escolher com base no gosto pessoal
Não gostar de uma plataforma não prova que o público não a utiliza.
Da mesma forma, gostar muito de uma plataforma não prova que seja adequada ao negócio.
A decisão deverá apoiar-se no comportamento do cliente e no objetivo.
Abrir demasiados canais ao mesmo tempo
Cada novo canal cria necessidades de:
- planeamento;
- produção;
- adaptação;
- resposta;
- análise;
- atualização;
- e manutenção.
Mais canais não significam automaticamente mais resultados.
Podem significar apenas mais tarefas.
Esperar que um canal cumpra todas as funções
Uma publicação pode despertar atenção.
Contudo, poderá ser necessário:
- um website para explicar;
- um testemunho para criar confiança;
- uma página para apresentar a oferta;
- e uma conversa para converter.
Os canais não devem ser avaliados apenas de forma isolada.
É necessário compreender o seu papel no percurso.
Conclusão
Escolher canais não significa decidir onde a marca consegue abrir uma conta.
Significa decidir onde vale a pena investir:
- atenção;
- tempo;
- orçamento;
- conhecimento;
- e recursos.
O canal certo depende:
- do objetivo;
- do comportamento do público;
- da fase da jornada;
- da mensagem;
- do formato;
- da capacidade de execução;
- e da função que desempenha no sistema.
Uma marca não precisa de estar em todo o lado.
Precisa de conseguir responder a três perguntas:
Porque estamos neste canal?
O que deve acontecer aqui?
Para onde queremos conduzir a pessoa a seguir?
Quando não existem respostas claras, a presença digital transforma-se numa coleção de perfis.
Quando existem, os canais deixam de competir pela atenção da equipa e começam a trabalhar em conjunto.
Antes de criar mais uma conta porque determinada plataforma está a crescer, é importante recordar:
- estar presente não é o mesmo que ser relevante;
- publicar não é o mesmo que criar um percurso;
- e estar em todo o lado não é necessariamente omnicanal.
Por vezes, é apenas estar cansado em vários locais ao mesmo tempo.
Ideias-chave da aula
- Um canal é um espaço de interação, não uma estratégia.
- Cada canal deve desempenhar uma função concreta.
- O objetivo empresarial deve ser definido antes da plataforma.
- É importante distinguir captar procura de criar procura.
- O mesmo cliente pode utilizar diferentes canais ao longo da jornada.
- Um único canal não precisa de cumprir todas as funções.
- A mensagem deve ser adaptada ao formato e à plataforma.
- A capacidade real de execução deve orientar a escolha.
- Escolher canais significa também decidir onde não investir.
- Canais próprios oferecem maior controlo.
- Plataformas de terceiros podem ampliar o alcance, mas aumentam a dependência.
- Um percurso funcional deverá incluir descoberta ou pesquisa, relação e conversão.
- A relevância do canal é mais importante do que o seu número de utilizadores.
- Mais canais podem significar apenas mais tarefas quando não existe uma função clara.
Referências
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Kannan, P. K., & Li, H. A. (2017). Digital marketing: A framework, review and research agenda. International Journal of Research in Marketing, 34(1), 22–45. https://doi.org/10.1016/j.ijresmar.2016.11.006
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Shahbaznezhad, H., Dolan, R., & Rashidirad, M. (2021). The role of social media content format and platform in users’ engagement behavior. Journal of Interactive Marketing, 53, 47–65. https://doi.org/10.1016/j.intmar.2020.05.001
Terho, H., Mero, J., Siutla, L., & Jaakkola, E. (2022). Digital content marketing in business markets: Activities, consequences, and contingencies along the customer journey. Industrial Marketing Management, 105, 294–310. https://doi.org/10.1016/j.indmarman.2022.06.006


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